Pesca de Salto e Vara

Pesca de Salto e Vara

Designa-se pesca de salto e vara com isco vivo devido às características das artes utilizadas e porque utiliza pequenos peixes pelágicos vivos como isco (chicharro, sardinha, cavala, carapau, etc). Como o nome indica, implica uma vara (que varia de tamanho e forma) e a técnica do salto, que consiste em puxar o peixe para bordo com um só movimento, fazendo-o saltar. Claro que esta manobra é tanto mais difícil quanto maior for o tamanho do peixe.

É uma pesca activa e dinâmica que procura os cardumes de atum na superfície atraindo-os para junto da embarcação com isco vivo. Dois factores são extraordinariamente importantes neste tipo de pesca: a grande voracidade que os atuns apresentam quando estão a alimentar-se, chegando a entrar em frenesim, e a habilidade que o pescador possui em iludir o atum, atraindo-o ao seu anzol.  

Aspecto de grande interesse na pesca de atum nos Açores é o facto de esta depender directamente de outra pescaria, a captura do isco vivo. Nos Açores, esta é feita com pequenas redes de cerco, ou "enchelavares", que capturam os pequenos peixes na costa, e os armazena em grandes tanques (tinos) na embarcação. Sem estes pequenos exemplares não seria possível atrair à superfície os grandes cardumes de atum.

Friend of the Sea

A Importância Ecológica da Pesca de Salto e Vara

A pesca do atum com artes de salto e vara com isco vivo faz parte do património social e cultural dos Açores. Num momento em que a comunidade internacional se preocupa com a utilização de artes demasiado intensivas e não selectivas como as redes de emalhar derivantes e as redes de cerco, a pesca do atum de salto e vara com isco vivo deve ser reconhecida como uma pescaria altamente selectiva e "amiga" do ambiente, dado que não apresenta capturas acessórias.

O facto das artes usadas nos Açores serem facilmente manobradas e controladas pelos pescadores (exemplo: 1 homem = 1 cana = 1 linha = 1 anzol) permitindo apenas a captura de um indivíduo de cada vez, é a principal razão deste sucesso na selectividade. Dada a natureza simples das artes utilizadas, o pescador pode selecionar o peixe, evitando capturar peixes demasiado pequenos ou outras espécies sem valor comercial, ou com interesse para a conservação da natureza, que possam estar associadas.

Como valorização e reconhecimento ecológico desta pesca, a organização não governamental "Earth Island Institute", certifica desde 1998, mediante um Programa de Observação para as Pescas dos Açores (POPA), a pesca do atum açoriana como sendo "Dolphin Safe". Recentemente a mesma instituição certificou a mesma pescaria como uma das primeira no mundo a cumprir com todos os critérios do FOS "Friend of the Sea".

 

(Fonte: A Pesca do Atum nos Açores, por: Rogério Feio e Luís Dias)